17 mil vidas

Em 2025, desastres climáticos custaram essas vidas e mais de US$ 224 bilhões em perdas. Veja como o clima extremo está moldando nosso presente e o que podemos fazer diante dessa nova realidade.

O que você vai ler hoje:
🔥 2025: o ano em que o clima custou US$ 224 bilhões e 17 mil vidas
⚡ Em 2025, metade dos carros elétricos vendidos no Brasil foram da BYD
♻️ Mulheres emitem 26% menos carbono que homens, revela estudo
🌱 Na Índia, alunos pagam mensalidade escolar com plástico reciclado

2025: o ano em que o clima custou US$ 224 bilhões e 17 mil vidas

CLIMA

Os números são tão devastadores quanto as imagens: em 2025, desastres climáticos causaram 17,2 mil mortes e US$ 224 bilhões em perdas econômicas no mundo, segundo relatório da seguradora Munich Re. Incêndios, enchentes, secas e tempestades mostraram que a crise climática já não é uma ameaça futura – é uma fatura presente, e cara, que a humanidade está pagando agora.

O incêndio florestal de Los Angeles foi o desastre mais caro do ano (US$ 53 bilhões), seguido por um terremoto em Myanmar (4.500 mortes) e tempestades severas nos EUA. 97% das perdas seguradas foram relacionadas a eventos climáticos – um recorde que supera as médias das últimas três décadas.

Enquanto a América do Norte concentrou US$ 133 bilhões em perdas, a Ásia-Pacífico sofreu com a baixa penetração de seguros (apenas 5% em países mais pobres), transformando tragédias em crises humanitárias duradouras. Na África, três ciclones devastadores destacaram a vulnerabilidade desproporcional dos continentes mais pobres.

“Um mundo mais quente torna eventos extremos mais prováveis”, alerta o climatologista-chefe da Munich Re. O relatório deixa claro: adaptação já não é opção, é necessidade urgente. E o custo da inação só cresce. 🌍🔥

Em 2025, metade dos carros elétricos vendidos no Brasil foram da BYD

MOBILIDADE

A revolução elétrica nas ruas brasileiras tem um nome chinês. Em 2025, a BYD vendeu metade de todos os carros elétricos e híbridos emplacados no país, alcançando 50,4% do mercado com 112.915 unidades – um crescimento de quase 50% em relação a 2024.

Os números são impressionantes: a BYD vendeu quase três vezes mais que sua principal concorrente, a GWM (17,6% de participação), e deixou marcas tradicionais como Toyota e Chevrolet para trás. Em dezembro, a marca registrou seu melhor mês de vendas no Brasil, com 15.657 emplacamentos, fechando o ano como a oitava marca mais vendida no país – à frente de Honda e Nissan.

O Dolphin Mini liderou as vendas, com 32.486 unidades, seguido pelo híbrido plug-in Song Pro (22.536). A estratégia de ofertar modelos elétricos puros e híbridos a preços competitivos explica a dominância. Para 2026, a meta é ambiciosa: crescer mais 50%, chegando a 180 mil veículos, com o lançamento do Yuan Pro híbrido, aposta para virar o novo best-seller.

A mensagem é clara: o futuro da mobilidade no Brasil está sendo escrito com tecnologia e preço acessível – e tem sotaque chinês. 🚗⚡

Mulheres emitem 26% menos carbono que homens, revela estudo

MEIO AMBIENTE

A pegada de carbono tem gênero, e a diferença é significativa. Um estudo do Instituto Grantham (London School of Economics) revela que as mulheres emitem em média 26% menos gases de efeito estufa por ano que os homens na França. Enquanto eles geram cerca de 5,3 toneladas de CO₂ equivalente, elas ficam em 3,9 toneladas – um padrão que se repete globalmente, incluindo no Brasil.

O comportamento explica a disparidade: homens usam mais carros particulares, enquanto mulheres optam por transporte coletivo ou ativo. Na alimentação, o consumo de carne é maior entre homens, outro fator de impacto. A pesquisa destaca que a crise climática não é só sobre tecnologia – é moldada por hábitos cotidianos e normas culturais.

“Não se trata de apontar culpados, mas de reconhecer que gênero influencia diretamente nosso impacto ambiental”, afirma Fernando Beltrame, CEO da Eccaplan. Outro estudo brasileiro corrobora: 52% das mulheres têm planos concretos para um estilo de vida mais sustentável em 2026, contra 43% dos homens. A diferença também aparece na percepção de risco: mulheres são mais conscientes sobre futuras crises climáticas.

Os dados mostram que a transição justa precisa de lentes de gênero – e que mudar hábitos pode ser tão poderoso quanto inovar tecnologicamente. 🌱♻️

Na Índia, alunos pagam mensalidade escolar com plástico reciclado

EDUCAÇÃO

Em uma aldeia do nordeste da Índia, a escola Akshar Forum aceita uma moeda incomum como mensalidade: resíduos plásticos. Toda semana, os 100 alunos formam fila para depositar sacolas e garrafas que seriam descartadas – uma resposta criativa à crise local, onde 500 toneladas de lixo plástico são geradas diariamente e menos de um terço é reciclado.

A iniciativa não só limpa o ambiente, mas também combate a evasão escolar. Em vez de pagar com dinheiro, as famílias enviam as crianças com plástico coletado. Na escola, os resíduos são transformados pelos próprios alunos em tijolos ecológicos (cada mês produzem cerca de 50) e outros objetos, como vasos e tampos de mesa.

Além da sustentabilidade, o modelo inclui um sistema de pontos resgatáveis: os alunos acumulam créditos por atividades como ensinar colegas mais novos, participar de cursos profissionalizantes (instalação solar, carpintaria, primeiros socorros) e ajudar na gestão das aulas. Os pontos podem ser trocados por itens como celulares, incentivando a permanência na escola – especialmente importante em uma região onde muitas crianças precisam trabalhar cedo.

A escola, que já treina professores de 100 instituições públicas, prova que educação, meio ambiente e inclusão podem caminhar juntos. Às vezes, a solução está no lixo que ninguém quer.